segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Minha Estante: Eu Estive Aqui, Gayle Forman

Em Eu Estive Aqui, a autora Gayle Forman nos apresenta uma história sobre morte, vida e sobretudo, sobre os grandes laços que construímos durante nossa existência. A história se iniciar quando a protagonista, Cody, recebe um e-mail de sua melhor amiga de toda a vida, Megan, avisando que precisava acabar com a própria vida. Nessa altura, Megan já estava morta – após ingerir veneno- num quarto de hotel barato na cidade de Tacoma, para onde tinha se mudado recentemente para cursar a universidade.

                                                                    

Cody e Megan eram inseparáveis. Desde a infância Cody tinha vivido a sombra de Megan. Dividindo tarefas, brincadeiras, planos para o futuro e até mesmo os pais de Megan, já que a mãe da protagonista, não era exatamente o que se pode chamar de mãe exemplar. Mas no momento em que o ensino médio terminou, apenas Megan conseguiu uma bolsa integral para a universidade, enquanto Cody, sem apoio emocional ou financeiro da mãe, acabou ficando na pequena cidade onde sempre viveram, cursando a faculdade comunitária e fazendo faxinas para se sustentar. E apesar de tentar lutar contra esse sentimento, no fundo Cody queria ter uma vida como a de Megan. Uma família como a da amiga ou até mesmo a oportunidade de estudar em uma boa universidade. 






Mesmo com as distâncias entre as cidades e os diferentes rumos que suas vidas tinham seguido nos últimos meses, elas ainda eram um porto seguro uma para a outra. E Cody não conseguia entender o por quê de não ter notado algo diferente na amiga. Como ela poderia não ter percebido uma infelicidade tão grande a ponto de levar ao suicídio?

Em meio a esses questionamentos de Cody, o casal Garcia pede que ela vá a Tacoma e busque as coisas de Meg. Chegando em Tacoma, Cody conhece amigos de Meg dos quais nunca ouviu falar e histórias sobre a amiga que jamais imaginaria. Começa a perguntar se realmente conhecia aquela menina com quem passou tantos anos. E esse é o ponto em que ela conhece Ben McCallister, um belo jovem de olhos azuis com quem Meg  estava se envolvendo e sobre quem Cody joga inicialmente a culpa pelo suicídio da menina. Com o tempo, Ben se prova de confiança e um certo relacionamento vai surgindo entre os dois, do qual nossa protagonista tenta fugir por temer estar traindo a amiga.

– Você nunca conhece as pessoas de verdade, não é? – comenta ele. Não. Não conhece.

Quando Cody descobre no notebook de Meg um arquivo criptografado com instruções precisas para um suicídio perfeito, percebe que a amiga não poderia ter feito aquilo sozinha. E a partir desta descoberta, Cody inicia uma busca incessante em busca da verdade sobre o que realmente aconteceu com a jovem que ela considerava tão perfeita e bem sucedida.

Tree tinha razão ao dizer que Meg foi deixada na mão. Mas não foi ela quem fez isso. Fui eu. Eu deixei Meg na mão em vida. Mas não a deixarei na mão na morte.

Apesar da temática da obra ser o suicídio – um tema forte – a escrita alterna momentos melancólicos e tristes com outros mais leves, como as conversas mais triviais entre Cody e os amigos de Meg e o relacionamento com Ben. Os personagens foram todos muito bem trabalhados e cada um deles conseguiu mostrar sua personalidade de uma forma profunda, mesmo que brevemente. Alice, Richard e outros amigos de Meg passaram de personagens secundários a personagens essenciais e queridos na história. O casal Garcia e Scott, o irmão de Meg de apenas dez anos, também trouxeram muita verdade a narrativa, assim como Ben, que consegue fugir do comum dos protagonistas deste tipo de história.

O livro traz todas as sensações que o leitor pode esperar em relação ao tema. Luto, tristeza, melancolia, negação ,culpa e a tentativa de lidar com a própria vida sem uma pessoa que era tão importante.
Ao mesmo tempo em que o leitor vai descobrindo aos poucos o que aconteceu com Megan, vai acompanhando uma evolução em Cody. Cody,essa protagonista que sempre se sentiu coadjuvante ou inferior perto da amiga. Mas que com o passar dos capítulos vai descobrindo quem realmente é e também o mundo de possibilidades que existem. Também descobre as pessoas. Que elas estão ali e que ela não precisa ser tão sozinha.


O desfecho não é exatamente aquilo que o leitor espera em relação a resolução do mistério, mas acredito que sem dúvidas é o mais próximo da realidade e passa um alerta que não deve ser ignorado. Acredito que a autora conseguiu passar nessas 220 páginas lições muito valiosas a respeito de dependência emocional, personalidade própria, laços de afeto e outros temas. Sem dúvida nenhuma, Gayle Forman mostrou que é possível seguir em frente e provou que sabe desenvolver um bom drama sobre temas relevantes sem cair em clichês comuns ao gênero.
Eu Estive Aqui é sem dúvida uma história que deve ser lida por qualquer um que tenha oportunidade de lê-la. 

3 comentários:

  1. Oiii Isabela, tudo bem?
    Menina eu ganhei esse livro este ano e estou louquinha para realizar a leitura, a sua resenha só despertou ainda mais meu interesse, preciso ler esse ano!!
    Beijinhos

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  2. olá...
    bem, tive uma experiencia com a escrita da autora que me desanimou a ponto de não ler mais nada dela... achei o livro bem raso, e portanto, acho meio improvável fazer a leitura de Eu estive aqui... a temática do suicídio abordada na história tbm me deixa incomodada...
    bjs...

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  3. Uau!
    Eu li os dois livros mais famosos da autora e confesso que não gostei nada da escrita deles, mas me interessei muito pela temática dessa história e sua resenha ficou tão bem feita que já senti empatia pela protagonista! Parabéns!
    Darei mais atenção a esse livro!
    Bjss

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