sexta-feira, 21 de abril de 2017

Minha Estante: Sobre a Escrita, Stephen King

Acredito que a grande maioria de vocês, leitores, conheçam o autor Stephen King, até mesmo porque, ele é o nono autor mais traduzido do mundo e já vendeu mais de 400 milhões de cópias. Muitas de suas obras foram adaptadas para o cinema e para a televisão, fazendo que King se tornasse um dos maiores nomes da literatura contemporânea.



Confesso que não me interesso pelo gênero que o tornou conhecido, o terror, mas recentemente li seu primeiro livro policial, Mr Mercedes - que foi bem recebido pelos leitores - e fiquei interessada em saber mais sobre a vida e obra desse autor, assim como seus métodos de escrita. E foi aí que eu li Sobre a Escrita, um livro que Stephen escreveu para auxiliar escritores iniciantes nessa difícil missão de viver da literatura.

Na primeira parte do livro, conhecemos a história de Stephen narrada por ele mesmo. Mas não apenas a história do King, mas do processo da formação do mesmo como escritor. Desde a infância e juventude difíceis, o jovem autor mostrava que nasceu para escrever. Aliás, escrever para ele, sempre foi sua maior fonte de prazer e diversão. King também mostra ao leitor que desde muito novo se sentia atraído pelo gênero literário que mais tarde o consagraria. Então em meio as dificuldades econômicas (e não eram poucas), ausência de um pai, empregos exaustivos, formação universitária, casamento e filhos, Stephen vai mostrando como poupo a pouco foi subindo degraus que o levariam a estar onde está hoje.

As primeiras publicações de contos em revistas, as dificuldades de escrever e sustentar uma família, os diversos nãos, o processo de escrita de Carrie, a Estranha  e o apoio fundamental de sua esposa são narrados de forma com que o leitor admire o autor por trás das obras. A vida do King sem dúvidas é digna de ser lida não só pelos aspirantes a escritores, como todos os leitores e pessoas que trabalhem com criatividade.

Na segunda parte do livro, o mestre do terror nos apresenta pontos que considera essenciais para uma boa escrita, ou seja, conselhos práticos para quem quer escrever. Aponta a leitura e a escrita como essenciais. Escrever exige treinamento, constância. E a leitura segundo o autor, faz com que o escritor saiba o que já foi feito, o que ainda não foi, o ajuda a ter intimidade com as palavras, auxilia na criatividade... Ou seja, contra a leitura e a escrita não há contra indicações.

Se você quer ser escritor, existem duas coisas a fazer, acima de todas as outras: ler muito e escrever muito. Que eu saiba, não há como fugir dessas duas coisas, não há atalho.
King também aponta erros comuns como abusar da descrição, fazendo com que o leitor se canse da história ou pior, não se identifique com a mesma, visto que tira todo o prazer da imaginação durante a leitura.O uso indiscriminado de advérbios, ter um enredo completamente fechado ou escrever mais do que o necessário também são alguns apontamentos importantes.

Em muitos casos, quando um leitor deixa a história de lado porque ela “ficou chata”, o tédio se instaurou porque o escritor ficou encantado demais com seus poderes descritivos e perdeu de vista a prioridade, que é manter a bola rolando.
Na terceira parte, podemos conhecer a rotina de trabalho pessoal do autor, das edições ao término da primeira versão, a importância dos leitores críticos e mais alguns outros detalhes próprios do King.
 E um fato muito interessante é que o livro foi escrito em 1999, quando o ator foi vítima de um acidente quase fatal. Ou seja, uma parte do livro foi escrito antes e outra depois do acidente, fato esse que foi descrito no livro com bastante detalhes para quem possa interessar.

E por último mas não menos importante: o livro contém uma lista de obras que influenciaram o autor, o que eu achei particularmente bem interessante para quem quiser saber um pouquinho mais sobre as referências dele.

Sem dúvidas Sobre a Escrita é um livro que merece ser lido. O livro não se propõe a ser um manual da boa escrita, - e desconfie dos que se propõe a isso -  mas dá dicas preciosas para que cada escritor ao seu estilo possa elaborar uma história interessante sem incorrer em erros que podem prejudicar o sucesso de sua obra perante os leitores. Aos que não desejam se aventurar no mercado editorial, vale a lição de vida de um homem que superou suas dificuldades e conseguiu o que desejava.

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domingo, 2 de abril de 2017

Fale! - Laurie Halse Anderson - O silêncio que esconde o grito

O livro Fale! da escritora americana  Laurie Halse Anderson é um daqueles livros que todas as pessoas deveriam ler, principalmente os jovens.  Traz temas polêmicos como estupro e bullying a partir da história da jovem Melinda Sordino. A sinopse nos conta que Melinda é uma jovem de quatorze anos, que acabou de entrar no ensino médio e está sendo completamente isolada por seus colegas, inclusive por aqueles que eram seus melhores amigos. O motivo? Ela estragou a tradicional festa promovida pelos veteranos da escola ligando para a polícia, o que acabou com o evento e culminou na prisão de alguns alunos. Por que ela ligou para a polícia? Os colegas não querem saber, mas o motivo fica bem claro para o leitor que tem alguma leitura de mundo ou que busquem saber o tema do livro antes de iniciar a leitura. Aliás, não acredito que seja um spoiler, pois a grande questão na história não é descobrir o que aconteceu com Melinda, mas perceber como ela e os outros a seu redor lidam com essa situação.

“A coelhinha foge em disparada, deixando rastros ligeiros na neve. Fugir fugir fugir. Por que é que não corri desse jeito quando era uma garota-falante-não-despedaçada?”

A jovem de antes da festa era alegre, popular, excelente aluna e falante. A menina de depois da festa se tornou retraída, solitária, sem conseguir reagir e principalmente, silenciosa. Melinda se retrai dentro de si mesma, não contando a ninguém o que de fato aconteceu. E a grande questão que a Laurie Halse tenta mostrar é que mesmo percebendo uma mudança na personalidade da jovem, nem seus familiares nem seus antigos amigos a questionaram sobre o que havia acontecido ou o porquê de ela praticamente não se comunicar mais com ninguém. E não é que a protagonista se torne mais reservada. Ela simplesmente para de falar e as pessoas parecem não perceber.



O livro se passa durante todo o ano letivo e apesar de Melinda não falar, podemos entender seus sentimentos de dor, angústia e solidão através dos pensamentos, flashbacks e ações da personagem. Ela passa os feriados sozinha, suas notas caem consideravelmente, não demonstra interesse para nada e está sempre sofrendo comentários maldosos dos colegas. A autora não dá muitos detalhes sobre os pais de Melinda, embora possamos perceber que passam por algum tipo de problema no casamento e que se refugiam no trabalho para esquecer os problemas familiares. Inclusive, acredito que a ausência de informações sobre os pais seja uma forma de mostrar a ausência deles da vida da filha, o fato de eles estarem alheios ao que acontece com a menina. Se preocupando com notas e problemas mais básicos do que o que está acontecendo realmente com a adolescente.

Os colegas de escola (os que antes se diziam amigos de Melinda) pouco se interessam pela mesma. Estão chateados pelo fim de uma simples festa enquanto ignoram uma questão muito maior. Há uma completa transformação na personalidade de Melinda enquanto os jovens ao redor se concentram em seus pequenos mundos e atividades cotidianas. Com excessão de um único professor, o de Artes, todo o corpo docente ignora uma aluna visivelmente com problemas. Melinda precisava falar. E presisava que alguém quisesse ouvir. O professor de Artes passa a ter um papel significativo na história, porque incentiva Melinda a se abrir por meio da arte, sem forçar um desabafo doloroso para o qual ela provavelmente não estava preparada.

Laurie Halse Anderson consegue passar nesse livro uma história dolorosa e tocante. E isso acontece porque nós sabemos que o livro retrata uma realidade mais comum do que queremos reconhecer. Existem milhares de Melindas no mundo e enquanto vivemos nossas vidas cotidianas, elas se calam e se fecham em si mesmas não tendo a quem recorrer. Por isso Fale! é um excelente livro para ser lido por todos e uma excelente opção de livro extraclasse para ser trabalhado em escolas e sensibilizar um maior número de pessoas para que olhem ao redor e percebam os outros.

A mensagem de da Laurie é bem clara: o egoísmo tem ensurdecido e nos feito ignorar o grito de socorro que um silêncio esconde.

Informação Extra: Fale! foi adaptado para os cinemas com o nome "O Silêncio de Melinda", onde a personagem principal é interpretada por Kriten Stwart no que eu considero seu melhor papel. Aos que não gostam da atriz e não se animam com o fato de seu melhor papel, eu peço que ao menos tentem assistir, porque definitivamente a Kristen conseguiu externar a dor,a angústia e a solidão da Melinda com maestria.


domingo, 11 de dezembro de 2016

Machismo nosso de cada dia: o término do namoro de Larissa Manoela

Nesta segunda feira, dia cinco de dezembro, a atriz Larissa Manoela anunciou em seu perfil oficial no Instagram o término de seu namoro com o também jovem ator João Guilherme, com quem contracenou em sua última novela, Cúmplices de um Resgate. Mas o que isso tem a ver com este blog? Não, ainda não virei comentarista de relacionamentos de famosos. Mas algo me chamou a atenção nesse término em especial: a hostilidade com que foi tratada a jovem de quinze anos.

Pessoas iniciam e terminam relacionamentos diariamente. Adolescentes iniciam e terminam relacionamentos diariamente. E isso em qualquer meio. E a grande maioria das pessoas não são atacadas e ofendidas como a Larissa foi. Taxada de termos como "rodada", "fácil" e outros termos que vocês podem imaginar.



A grande questão é: para quem interessa a quantidade de namoros que uma pessoa teve? Pelo o que me conta nas pesquisas que fiz antes de escrever este texto, foram três namorados. Me corrijam se eu estiver errada, mas acredito que esse número seja completamente irrelevante. Irrelevante na quantidade? Não: irrelevante no que isso afeta a minha ou a sua vida.

Muitos dos comentários criticavam a troca de namorados ou o fato de ela ter apenas quinze anos e estar no terceiro namorado. Será que as críticas se devem ao fato de ela ser famosa? A resposta está bem clara: não! As críticas vem do fato de ela ser uma mulher - na verdade uma menina - dentro de uma sociedade extremamente machista. E eu digo isso sem parar para analisar a idade que ela tem. Porque infelizmente eu sei que apesar de serem as supostas justificativas para comentários tão ofensivos, a realidade por trás dessas críticas é bem outra.

Larissa Manoela é uma jovem que com a permissão e supervisão de seus pais tem seus relacionamentos da adolescência. Se eu ou você que está lendo esse texto, namorávamos ou não na idade dela, não vem ao caso. O que me incomoda de fato é a questão do mesmo peso, duas medidas. Alguém questionou quantas namoradas o ex namorado dela teve? Alguém questiona atores como Paulo Vilhena, Maurício Mattar e muitos outros que tem uma extensa lista de antigos relacionamentos? Deve haver alguém que se incomode, mas eu nunca vi.

Mas eu vi os inúmeros ataques que uma menina de quinze anos sofreu ao terminar com seu terceiro namoradinho. Eu vi a quantidade de mensagens odiosas ou piadas extremamente infelizes se referindo a Taylor Swift. E isso não acontece apenas com as famosas. Acontece com todas as meninas e mulheres que ousam terminar ou iniciar um relacionamento. Essas meninas tão criticadas podem ser tanto Larissa e Taylor como a sua vizinha, sua amiga ou até você mesma. Porque a sociedade ignora comportamentos que supostamente considera ruins quando eles vem dos homens. E para mim é completamente inimaginável que as pessoas que fazem tais comentários não percebam o quão machista ou injusto isso é. Aliás, machismo e injustiça poderiam ser sinônimos.

O meu objetivo com esse pequeno texto é questionar você que se incomoda tanto quando algo vem de uma mulher e ignora ou aplaude quando vem de um homem. Também não é meu objetivo analisar detalhadamente esse caso, mas sim fazer com que as pessoas que passam por aqui questionem um pouco os próprios pensamentos e comentários.  Por que dois pesos e duas medidas? Fica aí o questionamento. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Minhas Preferidas de Laura Pausini - a italiana mais amada do Brasil






Sendo fã de música italiana ou não, provavelmente você já ouviu falar de Laura Pausini. Se não ouviu, está no lugar certo para conhecê-la. A mais conhecida cantora italiana vem frequentemente ao Brasil e tem um grande número de admiradores entre os brasileiros.


Desde 1993 - quando iniciou sua carreira profissional - Laura foi conquistando seu espaço no Brasil, países da América Espanhola, Europa e Estados Unidos, muito em consequência de a italiana cantar em idiomas como espanhol, português, francês, inglês e claro, em seu próprio idioma, o italiano.

O que mais me encanta na música da Laura é o fato de elas transbordarem sentimentos. Suas músicas são a playlist da minha vida. Compostas pela cantora, as músicas falam de amor, amizade, relações familiares, perda, redenção, desafios, felicidade... ou seja, não há uma fase da minha vida que eu não encontre uma música da Laura que se encaixe nela.

Obviamente que nem todos os cantores tem obrigação de serem compositores, mas eu valorizo o cantor que canta o que sente, talvez por isso goste tanto da Laura, que escreve suas canções baseada em experiência pessoais, como em En Cambio No, que fala sobre a perda de alguém amado e o quanto não dizer o que sentimos pode nos afetar depois. Ou em como Lo sapevi prima tu, que é uma homenagem ao pai da cantora e em extensão, a todos os pais. Laura conversa comigo através de suas músicas e a voz... É incomparável.  Tudo isso além da simpatia e carisma que lhe são peculiares.

Eu poderia passar horas falando sobre a profundidade de cada uma das canções que escolhi para essa post, mas vou falar brevemente sobre as que mais gosto e deixar que a letra e a voz incrível da minha cantora favorita da vida falem o que eu não posso descrever.

  •  En Cambio No  - É a minha música preferida. Não tem música que me toque mais do que essa. Feita para a avó de Laura Pausini após seu falecimento, a letra fala sobre perda, mas também sobre demonstrar o amor que sentimos pelas pessoas enquanto elas ainda estão conosco, antes que seja tarde demais para isso. O arranjo e a voz se juntam a magnífica letra e culminam na canção mais linda de todos os tempos.  


  •  La Solitudine - Clássico dos clássicos para os fãs de Laura Pausini, La Solitudine foi a primeira música da cantora italiana. Conta uma história de amor adolescente, onde o casal sofre por estar separado. É impossível não se apaixonar pela canção e não cantar aos gritos junto com a Laura.    
La solitudine fra noi. Questo silenzio dentro me. È l'inquietudine di vivere la vita senza te. Ti prego aspettami perché ♪

  •  Se non Te- Seria redundante dizer que a canção é belíssima, afinal, sou uma grande suspeita para falar das músicas da Laura e essa em especial está entre as minhas preferidas. Se non Te fala do amor que preenche, que tanto pode ser o amor romântico como o amor relacionado a amizade. Eu irei colocar a versão em italiano, mas a versão em espanhol que é um dueto com a maravilhosa Thalia também é excelente. 
  • Vive Ya - Esse é um dos melhores duetos dos quais a Laura já participou. Com uma letra que fala sobre viver a vida de forma intensa e não medir a entrega de sentimentos, a voz de Laura se junta com a do magnífico tenor Andrea Bocelli numa mensagem muito especial: a vida é para ser vivida agora.
  • Entre tu y mil mares - Essa música que tem um ritmo que eu considero maravilhoso, fala - em minha interpretação - sobre se libertar de um muito grande que de certa forma te faz mal e te limita. Também tem a versão em dueto, mas preferi deixar aqui a original, em que Laura canta sozinha.
  • Incancellabile  - Se você viveu nos anos 90/2000 provavelmente conhece a versão em português dessa música (Inesquecível, na voz de Sandy e Júnior). Como o próprio nome diz, fala de um amor inesquecível, impossível de ser apagado de tão forte que é. Assim como La Solitudine, é um dos clássicos pausinianos.
  • Le Cose che Vivi - Já que estou retornando ao fundo do baú, não posso deixar de citar Le Cose che Vivi, essa canção conhecida mundialmente e que fala de amizade, companheirismo e laços de afeto. Essa música é de emocionar...
 


  • Víveme - A música que me fez me encantar com Laura Pausini foi Víveme, que conheci assistindo a novela A Madrasta, de qual a canção era tema de abertura. Foi feita uma nova versão, um dueto com o cantor espanhol Alejandro Sanz para o cd comemorativo de 20 anos de carreira de Pausini e é essa versão que vocês podem conferir aqui. 


  •  Lato destro del Cuore - Essa música é do mais novo CD da italiana, Simili. Um pouco diferente do que estávamos acostumados, mas excelente e linda. Eu precisei ouvir pela segunda vez para realmente compreender e amar essa música, mas definitivamente vale à pena. 

  • En la Puerta de al Lado - Para encerrar, deixo uma das minhas músicas preferidas de Similares - versão em espanhol do CD Simili. É a hi´história de uma fã da Laura, apaixonada pelo vizinho da porta ao lado. E gente... que música.   



 E aí, gostaram? Faltaram muitas músicas da Laura que eu amo como Bienvenido, Simili, A ella le debo mi amor e muitas outras, mas não quis que esse post ficasse maior do que já está. Qual dessas músicas é sua preferida? A sua preferida não está na lista? Não esqueça de escrever nos comentários qual ela é! Clique em G+  para que esse post chegue a mais pessoas. Até a próxima!













quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Minha Estante: Americanah - Chimamanda Ngozi e a questão racial

Hoje eu vim falar sobre um livro muito diferente de todos que já resenhei aqui no blog. O livro Americanah, escrito pela autora nigeriana Chimamanda Ngozi traz uma história cheia de verdades e contada de uma maneira peculiar.

Antes de resumir a história eu gostaria de perguntar quantos autores africanos você conhece? Quantos desses autores que você conhece são negros? E quantos desses autores negros são mulheres? Aposto que sua lista ficou bem menor do que a lista de autores americanos ou ingleses que já tenho lido. E por quê, se muitos livros produzidos por autores africanos já estão disponíveis em português? Eu também em fiz essa pergunta ao conhecer Chimamanda e ao decorrer de minha leitura de Americanah.


Chimamanda é uma mulher africana, proveniente da Nigéria que aos dezenove anos se mudou para os Estados Unidos, onde estudou ciência política, escrita criativa e estudos africanos. Tem ganhado bastante notoriedade no meio literário por conseguir por meio de suas obras, atrair os olhares de pessoas do mundo inteiro para o continente africano. História bem semelhante com a de Ifemelu, protagonista de Americanah. Embora a obra não seja uma biografia, podemos encontrar semelhanças entre autora e personagem.

A história se incia em Lagos (que até 1991 era a capital da Nigéria) no ano de 1990. A autora nos apresenta a história de dois jovens, Ifemelu e Obinze, que iniciam o namoro no final do ensino médio e continuam sua relação durante a faculdade. A Nigéria atravessava uma fase difícil, vivendo sob um governo militar e sucessivas greves em suas universidades. Com muitos amigos procurando alternativas em outros países, a protagonista resolve se mudar para os Estados Unidos, onde sua tia Uju mora e onde poderia realizar sua graduação de forma mais tranquila.

Ifemelu e Obinze prometem manter contato, mas a realidade na América é bem diferente do que a jovem esperava. Sua tia, que na Nigéria era uma médica respeitada como qualquer outra, tem de enfrentar provas e provas para provar seu conhecimento, além de lidar com diversos pacientes que não a respeitam por ser negra. Moram em um bairro em que a maior parte da população é negra e  assim Ifemelu vai descobrindo as barreiras invisíveis que separam bairros brancos e bairros negros.

Ifemelu ainda ficava espantada com a diferença que alguns minutos no trem faziam. Durante seu primeiro ano nos Estados Unidos, quando pegava o trem da New Jersey Transit até a Penn Station em Nova York e depois o metrô para visitar tia Uju em Flatlands, no Brooklyn, ficava impressionada ao ver como a maior parte das pessoas brancas e magras descia nas estações de Manhattan, e, conforme o metrô ia se aproximando do Brooklyn, só iam sobrando as negras e gordas.

Estranhando a cultura americana e sentindo falta de Obinze e de sua família, Ifem inicia seus estudos na universidade, onde convive com o preconceito racial e com o preconceito por ser africana. Em meio a discussões sobre questões raciais, estudos e perguntas ofensivas, a nigeriana vai percebendo a visão distorcida e preconceituosa que as pessoas tem sobre a África, além de se deparar com as dificuldades enfrentadas por imigrantes como ela.

Ifemelu sentiu um desejo súbito e desesperado de ser do país onde as pessoas davam dinheiro, e não do país onde elas recebiam, ser um daqueles que tinham posses e que, portanto, podiam ser iluminados pela graça de ter doado, estar entre aqueles que tinham dinheiro para gastar em piedade e empatia copiosas.

Precisando se manter, Ifem procura emprego em todos os locais que pode, mas encontra as maiores dificuldades possíveis. Seu inglês não era perfeito como pensava, ela não falava como americana. Também não agia como uma. E o que ela nunca havia parado para pensar antes: havia preconceito contra os próprios negros americanos e esse preconceito se intensificava quando se tratava de estrangeiros. Devastada com a nova realidade, Ifem entra em depressão e para de responder a Obinze, perdendo o contato.

Quinze anos depois, ela já está com seu visto de permanência americano e famosa por seu blog, que fala sobre negros americanos e negros não americanos. Com um tom direto e muitas vezes acusador, Ifemelu aponta o racismo existente na sociedade, que tenta fazer com que o negro se desfaça de suas características naturais, como o cabelo por exemplo. Também tenta mostrar ao mundo que a África é plural e que existem diferenças enormes dentro do continente, diferenças essas que são ignoradas e unidas sob o estigma da miséria por pessoas que não tentam compreendar essa pluralidade.

O livro alterna entre a narrativa da história de Ifem com a história de Obinze, que também fará algumas considerações sobre imigração, racismo e outras questões. Ifemelu voltará à Nigéria. Encontrará um país muito diferente do que um dia deixou. Encontrará condições totalmente opostas com as quais se acostumou.

Devo dizer que o grande ponto da história não é o romance. Americanah - expressão com a qual os nigerianos se referiam a africanos que voltavam dos Estados Unidos – é um livro sobre questões raciais e sociais. É um livro sobre os preconceitos existentes e como eles afetam a vida de uma pessoa. É um livro que discute história e sociologia o tempo inteiro. E é inclusive muito interessante como como a partir da visão dos protagonistas e de um romance aparentemente comum, também podemos conhecer um pouco sobre a história da Nigéria, costumes e visualizar a Lagos que vai sendo descrita.

Não era surpreendente que não houvesse um salão especializado em Princeton — os poucos negros que ela vira ali tinham a pele tão clara e o cabelo tão liso que era difícil imaginá-los usando tranças —, mas, enquanto esperava o trem na Princeton Junction, numa tarde incandescente de calor, Ifemelu se perguntou por que não havia um lugar ali onde pudesse fazer suas tranças.

Os personagens não são de forma alguma cativantes e acredito que isso tenha sido proposital da parte da autora. Eles sofrem com todas as questões apontadas no resumo que fiz do livro, mas erram o tempo inteiro, tem atitudes que podem parecer inaceitáveis do ponto de vista do leitor. Ifemelu é o oposto da mocinha cativante, tendo atitudes como tentar se sobressair perante africanas de outros países que estavam a menos tempo na América. O grande desafio de Chimamanda foi criar uma história cativante sem que os protagonistas o fossem. E ela conseguiu brilhantemente. Por que a história não é de Ifemelu e de Obinze, é de milhares e milhares de pessoas que enfrentam racismos e preconceitos todos os dias. Eles foram apenas instrumentos para que uma discussão fosse levantada, para que se gerasse uma reflexão. Não por empatia para com eles, mas por uma reflexão mais profunda do que isso. Não é um livro sobre romance, é sobre a sociedade.

Apesar de contar com 520 páginas, a obra é fluida e interessante, mantendo o interesse do leitor a cada página. Sem nenhuma dúvida, Chimamanda Ngozi merece os prêmios literários que conquistou, pois sem dúvida tem um enorme talento para tornar discussões sérias acessíveis a um maior número de pessoas e de uma forma tão agradável e criativa. Americanah é um livro indispensável para quem quer sair do lugar comum, para quem se disponibiliza a sair de sua zona de conforto e conhecer uma realidade diferente da mostrada nos livros ingleses ou americanos.

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domingo, 9 de outubro de 2016

Escritores Iniciantes: Como criar um bom protagonista?

Hoje eu vim falar sobre um elemento crucial na hora de desenvolver uma história: o personagem principal. Não existe uma história sem um personagem. Mesmo que o autor não escreva sobre uma pessoa particular e sim sobre o tempo ou algum tipo de elemento, este elemento se tornará o personagem da narrativa. A grande questão que é crucial na hora de escrever é: como criar um bom protagonista? Eu irei destacar aqui nesse post alguns pontos importantes na hora  de criar um personagem interessante, baseada na minha experiência de leitora, resenhista e escritora nas horas vagas.



Destaco aqui que o post fala do personagem principal, o protagonista, aquele que aparecerá na maior parte da história. É essencial que o leitor goste do protagonista, mas isso nem sempre é fácil. Afinal, o fato de você escritor gostar do personagem não significa que seu leitor nutrirá os mesmos sentimentos por ele. E quando o leitor não gosta do protagonista, dificilmente irá continuar a ler a sua história e se por muita insistência chegar ao final do livro, provavelmente não comprará outro.

O primeiro passo para criar o personagem é definir que papel ele terá na sua história. Obviamente que se estamos falando do protagonista, ele irá exercer o papel principal. Mas quando me refiro a definir o papel que ele terá na história, me refiro a definir como será sua participação. Ele será um herói, será salvo por outra pessoa? Irá descobrir um segredo de imediato ou ser enganado? O personagem será criado de acordo com a sua história. É preciso definir exatamente a sua função no universo criado pelo autor para depois construir a sua personalidade.

Personagem vem do latim persona, que era uma máscara usada por atores gregos e significa conjunto de características que se destacam numa pessoa. E na hora de construir o personagem, a personalidade é essencial. É necessário definir a índole do personagem. Um protagonista pode ser tanto o exemplo da ética quanto ter atitudes condenáveis. Tudo depende do objetivo do autor. A personalidade deve ser criada com muito cuidado e os detalhes são essenciais nesse momento. A aparência pessoal, o modo de se vestir, o modo de andar, a aparência da casa, o que come, onde come, quem são os amigos, que tipo de música ouve, o emprego, o relacionamento com a família e muitos outros aspectos devem ser considerados. A  menos que seu personagem seja cínico, mentiroso, psicopata  ou totalmente descontente com sua rotina atual, suas atividades e o modo como se apresenta devem condizer com sua personalidade.

Outro aspecto muito importante é gerar identificação com o leitor. A grande maioria dos leitores quer se identificar com o personagem e isso requer uma grande reflexão da parte do autor. É impossível agradar a todos, até mesmo porque, pessoas diferentes irão se identificar com personagens diferentes. Por isso é necessário que o autor selecione seu público alvo. Um pré-adolescente não irá se identificar se o personagem de 14 anos tiver uma atitude de alguém de 40 e vice-versa. Tentar criar um personagem que que interesse a todo tipo de leitor muito provavelmente irá culminar em um protagonista que não agrade a ninguém. E é importante salientar que a grande maioria dos leitores não procura um personagem perfeito. É essencial humanizar o personagem (se ele for humano obviamente) para que o leitor se identifique. Até mesmo os heróis podem errar, assim como os vilões podem ter sentimentos e carregar traumas que gerem compaixão.

E como uma última consideração e que até mesmo complementa o ponto anterior, eu gostaria de citar a importância da multiplicidade de características. Ninguém é tão simples a ponto de ser definido por apenas uma característica, mesmo que essa seja bem marcante. O personagem também não pode ser dessa maneira. É importante explorar as mais diversas facetas. Ninguém é sério ou brincalhão o tempo todo. Deve existir um equilíbrio. O autor deve explorar as características do personagem. Se ele é engraçado, pode ser interessante ressaltar um pouco seu lado preocupado ou sensível. Se é frio e distante, talvez tentar mostrar um momento de amor. Obviamente isso não seria válido ao criar um personagem psicopata, mas em um vilão comum é bastante aplicável.

É importante ressaltar que essas são apenas as minhas observações baseadas em experiências pessoais e de leitores com os quais convivo, não um manual de regras. Mas acredito que pode ser útil para quem está iniciando na carreira de escritor e se encontra um pouco perdido na hora de construir o seu protagonista, que é um dos elementos mais importantes de uma trama. Obviamente que existem muito mais pontos a se pensar na hora de criar o seu personagem, e isso varia de um gênero para o outro, mas para que o post não fique muito longo, resolvi discutir pontos mais gerais. Se vocês desejarem considerações sobre protagonistas de um gênero específico é só deixar nos comentários.

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Aprendendo a gostar de ler: 5 livros juvenis

Desde antes de aprender a ler eu já tinha um grande apreço por livros. Minha mãe lia todas as noites para mim e o que eu mais desejava era poder compreender o que todas aquelas letrinhas diziam e poder me aventurar sozinha nas histórias que tanto gostava. E quando finalmente aprendi a ler, não parei mais.
 É verdade que nem todas as crianças tem incentivo por parte dos pais para gostar de ler. Afinal, muitos pais também não foram incentivados e não possuem o hábito da leitura. Já algumas, mesmo com todo o incentivo e livros disponíveis por perto, apenas não gostam de ler. Mas afinal, como fazer alguém gostar de ler?

Em primeiro lugar, não se pode exigir que a criança ou adolescente tenha um senso crítico literário como o de um adulto. E criticar seus interesses não irá ajudar que o interesse pela literatura cresça. Todos nós temos um gênero literário favorito e é evidente que crianças e adolescentes também terão o seu. O que muitos deles não sabem é que a leitura pode sim abranger os interesses que eles tem sobre outros assuntos. Muitos não sabem que os livros podem ser divertidos, interessantes, mostrar a vida do ponto de vista de alguém de sua idade ou levar a mundos desconhecidos. E isso muito se deve a tentativa de padronizar o que se deve ler. É claro que os clássicos são importantes, mas a literatura infantojuvenil também tem a sua importância. E tem uma missão muito importante: formar novos leitores.

E não, eu não estou dizendo que a leitura de qualquer livro infantojuvenil será proveitosa. Existem livros bons e ruins dentro de qualquer gênero. A questão é que quem quer incentivar um jovem a ser um leitor deve se policiar e evitar criticar o que ele lê. Não faz sentido ridicularizar uma criança ou adolescente por lerem temas que consideramos irrelevantes. Cada idade traz seus próprios interesses, questionamentos e gostos. Se você acredita que o livro que seu filho/irmão/aluno é pobre de conteúdo ou perda de tempo, que tal mudar de estratégia? Por que não indicar um bom livro juvenil ao invés de apenas criticar o escolhido pelo jovem?

Pensando na estratégia de estimular ao invés de criticar, trouxe nesse post 5 livros juvenis bem interessantes para incentivar o jovem a gostar de ler.  Vamos conferir?




1- O Gênio do Crime - João Carlos Marinho

 A história nos apresenta Seu Tomé, um homem bom, proprietário de uma fábrica de figurinhas de futebol. Existem as fáceis e as difíceis, fabricadas em menor quantidade. Quem enche o álbum ganha prêmios realmente bons. Mas surge uma fábrica clandestina que fabrica as figurinhas difíceis e as vende livremente. O número de álbuns cheios aumenta e seu Tomé não tem mais capacidade de dar todos os prêmios. Há uma revolta, as crianças querem quebrar a fábrica. Edmundo, Pituca e Bolachão, e mais adiante, Berenice, entram em cena para descobrir a fábrica clandestina. Acontece que não se trata de simples bandidos. A quadrilha é chefiada por um gênio do crime. As crianças terão que desvendar essa trama muito inteligente e perigosa. Esse livro, lançado em 1969 até hoje é um sucesso editorial no Brasil e um dos principais livros juvenis nacionais.

 
 2- O Fantástico Mistério de Feiurinha - Pedro Bandeira 

 O livro faz uma bela brincadeira com os mais diversos contos de fadas a partir de um acontecimento inicial: o desaparecimento da suposta princesa Feiurinha. Com esse desaparecimento da princesa que ninguém havia ouvido falar, há o reencontro das princesas dos contos de fadas: Cinderela, Rapunzel, Branca de Neve, Belas, etc. Todas, com exceção de Chapeuzinho Vermelho, se encontram grávidas e prestes a completar 25 anos de casadas com seus respectivos príncipes encantados.
Em meio a rivalidade entre princesas, que demonstram se preocupar mais com suas próprias histórias em determinados momentos, desabafos e preocupações, o mundo dos contos de fadas inteiro está preocupado e disposto a resgatar a princesa desaparecida. Tanto crianças quanto adolescentes tem amado essa história por muitos anos.


3- Eu sou Malala - Malala Yousafzai

Eu sou Malala conta a história da jovem paquistanesa que desafiou o talibã e toda uma cultura local para ter garantido seu direito de ir a escola. Malala retrata sua vida no Paquistão, aspectos de sua cultura, a dificuldade que as mulheres encontram para ter acesso a educação e a violência a que foi submetida ao sofrer o atentado que quase tirou sua vida. Evidentemente que essa história não é apenas para adolescentes, já que adultos de todo o mundo se encantaram com a história da mais nova pessoa a ganhar o prêmio Nobel. E acreditando que mais pessoas deveriam conhecer essa história tão especial, a jornalista Adriana Carranca escreveu "Malala: a menina que queria ir para a escola" contando a história da jovem paquistanesa para o público infantil. Sem dúvidas vale a pena ler as duas versões.























4-A Extraordinária Garota chamada Estrela - Jerry Spinelli

Esse livro traz a história de uma garota incrivelmente diferente chamada estrela na visão de seu colega de escola Leo Borlock. Ela que é misteriosa, tem um rato de estimação e tem uma alegria infinita. Ela que desperta curiosidade em todos os seus colegas. Estrela que se sente livre para ser autêntica sem se preocupar com os julgamentos tão cruéis dos outros adolescentes. No começo, os colegas encantam-se com ela por tudo o que a faz ser diferente. Mas isso começa a mudar, e Leo, apaixonado e apreensivo, percebe que a única coisa que pode salvá-la das críticas é a mesma que pode destruí-la: ser alguém comum. A história trata de mostrar os sentimentos conflitantes dentro do ser humano e de como ser você mesmo pode ser difícil em meio a tantos julgamentos. É um livro fantástico e perfeito para o período da adolescência, quando geralmente tentamos nos encaixar e encaixar os outros em padrões pré estabelecidos.

 
 5- Divergente - Veronica Roth


Resolvi colocar esse livro na lista porque apesar de ser uma distopia publicada bem recentemente e de ter sido alvo de algumas críticas, acredito que existem sim pontos positivos na história e é bem interessante aos olhos juvenis (aos meus também). Ambientada numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. Ela deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive. O livro fala sobre escolhas, coragem, amizade, vocações e vida em sociedade. Tem ótimas lições e o fato de ser uma trilogia contribui para que quem está iniciando no mundo literário tenha vontade de ler mais. 


 E aí, o que você acha que pais/professores/amigos podem fazer para incentivar crianças e adolescentes a ler? E que livro você colocaria nessa lista? Não esqueça de comentar e clicar em G+ para que mais pessoas possam ler esse post!

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

5 motivos para adotar (e não comprar) um animal de estimação

Não sei se vocês sabem, mas eu amo os animais. E o Pausa pra Conversa foi criado justamente para falar dos assuntos que mais gosto. Estava faltando um espaço dedicado a eles aqui no blog e a partir de hoje teremos a coluna Cantinho Animal, onde sempre trarei posts relacionados ao tema. E hoje, como não poderia deixar de ser, quero iniciar falando de um dos temas que mais defendo: a adoção de animais.

Acredito que nem todos que lerão esse post concordam com a minha opinião de que animais não deveriam ser vendidos nem comprados. Argumentam que animais de raça ou SRD merecem o mesmo carinho. E isso é uma verdade absoluta, concordo totalmente que devam receber o mesmo amor, porém discordo da compra e venda. Seguem abaixo 5 motivos para adotar (e não comprar um animal).

5 motivos para adotar um animal 

 1- Evita tortura em canis
Quando alguém compra um filhote muitas vezes não sabe sua procedência, como são as condições do canil, como os animais são tratados, etc. Mas eu preciso contar a vocês que em muitos locais de criação de animais, as matrizes - os pais dos filhotes vendidos - são obrigados a cruzar incessantemente para produzir o maior número de filhotes, o que prejudica sua saúde física e emocional. Muitas cadelas são totalmente imobilizadas para que cruzem o maior número de vezes possíveis. Muitos lugares desses também não respeitam as condições de higiene necessárias e nem prestam atendimento veterinário adequado, descartando filhotes e principalmente matrizes quando não são mais necessários. Muitos são jogados nas ruas ou sacrificados.

Matrizes resgatadas 





2- Muda a vida de um animal 
A grande maioria dos animais de rua e dos abrigos de animais já passaram por situações como abandono, tortura, violência, maus tratos, doenças e muitos outros problemas. Alguns nunca chegaram a conhecer o amor de uma família. Outros tem medo de humanos devido ao que já sofreram. E infelizmente, por mais que sejam cuidados em um abrigo, não há voluntários ou funcionários suficientes para dar a atenção que precisam, o que faz com que muitos fiquem presos em pequenas baias durante boa parte do tempo em que permanecem lá. Muitos nunca chegam a sair das ruas ou do abrigo onde se encontram. Ao adotar um animal nessas condições você mudará completamente a vida dele, presenteando-o com amor e uma família. E não se esqueça que com certeza o animal retribuirá o amor recebido.

Antes e depois da adoção




 3- Permite que mais animais sejam resgatados pelas ONG's
Nesse caso específico de adoção diretamente de ONG's você possibilitará que mais animais sejam resgatados. É bem simples: essas instituições são mantidas a partir de doações e não tem possibilidade de recolher todos os animais em necessidade. Quando um animal é adotado, abre vaga para que mais um possa ser resgatado das ruas ou de situações de maus tratos.  


 4- Você já conhece a personalidade do animal
Apesar de muitas pessoas terem preconceito com cães adultos, eles na maioria dos casos se adaptam muito bem a uma nova família e tem a vantagem de já ter a personalidade formada, ou seja, você não terá surpresas com o passar do tempo. Além disso, costumam ser mais comportados que os filhotes e se sentem gratos pelo amor recebido.  


 5- Você aprenderá que animais são amigos e não mercadoria
Animais comprovadamente tem sentimentos e são inteligentíssimos. Eles sentem dor, se apegam e também sentem a rejeição e o abandono. Os animais são vidas e vidas não devem ser comercializadas. Com milhares de animais sofrendo nas ruas e abrigos, não há necessidade de pagar caro e alimentar um comércio cruel. Quanto mais animais são vendidos e comprados, menores serão as chances de que algum SRD seja adotado. Não adote por raça, adote por amor.


É interessante refletir nesses pontos aqui apresentados antes de decidir comprar um animal. Um animal de raça não é melhor que um SRD. Todos podem oferecer amor, lealdade e alegria. Se não houver quem compre, não haverá quem venda. Transforma a vida de um animal carente, adote.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Canais Diferentes e Originais no YouTube

O YouTube se tornou atualmente uma das maiores plataformas de produção de conteúdo na internet. Diariamente milhares de pessoas dos mais diversos países sobem vídeos com os mais variados temas. E essa nova forma de entretenimento tem atingido tamanha proporção, que a cada dia surgem milhares e milhares de canais novos tentando encontrar seu lugar ao Sol e ganhar dinheiro com vídeos.

O grande problema do crescimento do YouTube é que a grande maioria dos novos produtores de conteúdo, apenas reproduzem o que acreditam ser a "fórmula de sucesso" dos canais maiores. Muitas pessoas que querem ganhar dinheiro produzindo vídeos, esquecem da produção e apenas reproduzem de forma quase igual os vídeos que os canais consagrados postam a muito tempo, acreditando que isso garantirá visualizações. E por isso a cada dia aparecem pessoas frustradas, comentando com spam em todos os links com o intuito de divulgar seu canal, o que quase nunca dá certo.

Acredito que assim como eu, você também não gosta de ver sempre mais do mesmo, então selecionei alguns canais com conteúdo diferenciado e original no YouTube. Os temas são diversos e a qualidade do conteúdo é excelente. Vamos conhecer e incentivar a criação de conteúdo original?

1- Patrícia Brazil 
Quem acompanha os maiores youtubers do Brasil provavelmente conhece a série Yolo, que leva os produtores de conteúdos para as mais incríveis viagens pelo mundo. Essa série foi idealizada pelo Grupo It Brazil, que tem a missão de criar projetos que unam as marcas aos influenciadores digitais. E Patrícia Brazil, a grande fundadora do grupo, criou o canal que leva o seu nome onde fala sobre empreendedorismo. Sim, isso mesmo: uma mulher utilizando a internet para compartilhar suas experiências e a de outras pessoas sobre um tema tão interessante e pouco abordado como o empreendedorismo.


2- Regina Volpato
Não sei se vocês também a assistiam, mas eu assistia todos os dias quando era mais nova o Casos de Família com a Regina Volpato. Assistia porque tratavam de temas importantes, mediação de conflitos e porque eu simplesmente gostava da forma dela de conduzir uma conversa, enxergar como as pessoas eram de verdade. E ela criou um canal. Um canal com reflexões e entrevistas. E se engana quem pensa que as entrevistas são rasas. Ela conversa com pessoas empoderadas, persistentes, que passaram por grandes desafios e que tem muito a dizer. Dentre elas temos refugiados, ex-moradores de rua, atrizes, empreendedores, mães... ou seja, pessoas comuns mas ao mesmo tempo muito especiais e que tem muito a dizer.


3- Paola Celis
Eu sempre fui muito apreciadora da cultura latina e sempre me perguntei porque nós brasileiros nos identificamos mais com a cultura norte-americana do que com a dos nossos vizinhos mais próximos. Resolvi pesquisar no YouTube por blogueiras latinas e encontrei muitas com qualidade e conteúdo impecáveis. Dentre elas, encontrei Paola Celis, uma youtuber mexicana que vai muito além dos assuntos superficiais. Paola é formada como terapeuta familiar e mescla vídeos de conselhos sobre relações familiares e interpessoais, autoconhecimento e psicologia com outros que mostram sua própria vida familiar. Sem dúvidas é um canal excelente e que tem muito o que oferecer a quem assistir. Obviamente a Paola fala espanhol, mas como é uma língua próxima a portuguesa, acho que com um pouco de esforço é possível sim compreender e se beneficiar do conteúdo.

Eu acompanho diariamente muitos canais. Mas esses que citei nesse post são dos que eu assisto os que apresentam conteúdos mais originais. E acredito que com o crescimento espantoso da plataforma, quem não elaborar boas ideias e conteúdos diferentes não terá o sucesso desejado. Existem milhares de blogueiros de um mesmo nicho, mas existem infinitas formas de inovar.
E você? Tem algum canal super diferente que quer indicar? Não esqueça de deixar nos comentários e dar G+ para que mais pessoas vejam este post!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Minha Estante: Eu Estive Aqui, Gayle Forman

Em Eu Estive Aqui, a autora Gayle Forman nos apresenta uma história sobre morte, vida e sobretudo, sobre os grandes laços que construímos durante nossa existência. A história se iniciar quando a protagonista, Cody, recebe um e-mail de sua melhor amiga de toda a vida, Megan, avisando que precisava acabar com a própria vida. Nessa altura, Megan já estava morta – após ingerir veneno- num quarto de hotel barato na cidade de Tacoma, para onde tinha se mudado recentemente para cursar a universidade.

                                                                    
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